Petróleo em alta ajuda a Petrobrás

Os números da Petrobrás no primeiro trimestre foram bem recebidos pelos analistas. O lucro líquido de R$ 6,92 bilhões superou as expectativas e as ações da empresa registraram alta. A alta dos preços do petróleo foi decisiva para o resultado (ontem à tarde, o barril estava cotado a US$ 126,98 na Bolsa Nymex) e respondeu por R$ 1,682 bilhão do lucro operacional, segundo a empresa.

Entre os primeiros trimestres de 2007 e 2008, o preço médio de venda do petróleo brasileiro passou de US$ 47,79 para US$ 86,13 o barril. A alta foi de 80,2%, mas a cotação é cerca de US$ 10 inferior à do tipo Brent, porque o óleo extraído no País é pesado e tem menor valor.

No período, o custo de extração em reais pouco variou (respectivamente, R$ 15,20 e R$ 15,16 o barril), mas o ônus das participações governamentais cresceu de R$ 18,92 para R$ 28,04 por barril. A União, os Estados e os municípios ganharam com a alta dos preços.

A empresa pagou caro pela demora no reajuste dos preços de combustíveis: o refino, uma de suas atividades básicas, registrou prejuízo de R$ 566 milhões. É uma anomalia que tende a ser atenuada com o aumento de 15% do diesel e de 10% da gasolina entregue nas refinarias, desde 1º de maio.

Os investimentos aumentaram de R$ 8,3 bilhões para R$ 10,197 bilhões, valor que parece pequeno em vista de um aumento de apenas 2% na produção de óleo e gás natural, repetindo o mau desempenho do início de 2007.

A geração de caixa cresceu, mas não o suficiente para custear os investimentos. Com isso, o endividamento líquido aumentou de R$ 26,670 bilhões para R$ 31,753 bilhões entre os primeiros trimestres de 2007 e 2008. E, cotejando 31/3/2007 com 31/3/2008, o saldo de caixa diminuiu de R$ 20,463 bilhões para R$ 11,560 bilhões.

O lucro da Petrobrás entre janeiro e março foi influenciado favoravelmente pela base de comparação. No primeiro trimestre do ano passado, o balanço acusou despesas extraordinárias, da ordem de R$ 2 bilhões, com o fundo de pensão Petros e com a valorização do real.

Agora, será preciso gerar mais caixa e mais lucros para financiar investimentos que passarão de R$ 45 bilhões, em 2007, para R$ 54 bilhões, neste ano. Sobretudo o custo da produção e extração de óleo da camada pré-sal será substancialmente mais elevado, tornando mais onerosa a política de segurar os reajustes de produtos finais e obrigando ao aumento do endividamento.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Postado por: Newscomex - Comércio Exterior e Logística

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